E depois de uma boa pausa, voltemos a saga da eterna discussão entre qual dos pilotos é o melhor: Senna ou Schumacher.
Dessa vez, tratemos de suas temporadas vitoriosas.
88,90 e 91 do brasuka.
94,95,2000 a 2004 do germânico.
Senna, Prost e o MP4/4
Para entender o desempenho de Ayrton na temporada de 88, vamos entender o que se passava de maneira mais geral:
1988 começa com o atual campeão mundial, Nelson Piquet, mudando da Williams para a Lotus justamente substituindo o promissor Senna, que havia migrado para a McLaren. Mesmo ainda contando com os motores Honda para essa temporada, a equipe amarela não conseguiu montar um carro devidamente competitivo. Além disso, a atual campeã williams ficou sem seu motor Honda. Agora contava com os sofríveis motores Judd.
Sobrava para a Ferrari de Gerrard Berger e Michele Alboreto a inglória tarefa de parar uma das maiores combinações que uma equipe de F1 conseguiu fazer: Ayrton Senna, Alain Prost e o MP4/4. (Apesar que a McLaren - TAG de 84 com o mesmo Prost e Nikki Lauda fizeram um estrago até maior no mundial de construtores daquele ano)
Obviamente, a Ferrari pouco pode fazer.
Mesmo correndo ao lado de um bicampeão mundial, Ayrton manteve suas características e continuou soberano nos treinos. Treze poles de dezesseis possíveis.
Da mesma forma, continuou um piloto arrojado e por vezes, inconsequente. Coisa que contrastava com a performance do "professor" Alain, que era frio e sobretudo, contante.
Pelo seu ímpeto, Ayrton perdeu chances de vencer quando estava numa situação tranquila. Monza e Mônaco foram exemplos disso. Se as regras fossem como as atuais, o brasileiro teria sido segundo no mundial. Porém o regulamento considerava apenas os 11 melhores resultados, coisa que favorecia o estilo impetuoso do futuro campão de 88.
Naquele ano, começariam três relações que marcariam Ayrton até o fim de sua vida: Suzuka, Imola e Prost.
Senna, ironicamente num 1º de maio, conquista a primeira vitória em San Marino, a primeira vitória na McLaren e a primeira vitória em 88.
Neste ano, Senna também começou a lendária rivalidade com o Frances, que chegaria ao ápice nas 2 temporadas seguintes.
Por fim, o brasileiro conquistou a primeira vitória em território Japonês tendo uma pane no motor na largada, o que lhe custou algumas posições. Ayrton buscou adversário por adversário e, pilotando como ninguém na chuva, superou todos incluindo o francês, sagrando-se o campeão daquele ano.
Guerra.
Em 1990, Senna contava com a McLaren MP4/5B, muito parecida ao carro do ano anterior, (MP4/5), e tinha como colega de equipe o austríaco e futuro grande amigo Gerrard Berger.
Pra começar o ano, Senna venceu de maneira incomum, largando em quinto nas ruas de Phoenix. Além da vitória, Ayrton travou um ótimo pega com um Jean Alesi, novato e possivelmente, fazendo uma de suas melhores corridas na carreira.
Ao contrario das 15 vitórias da McLaren nas 16 etapas existentes, a equipe inglesa só contou com a meia dúzia de vitórias do brasileiro. É bem verdade que Berger era bem inferior a Prost, mas era indiscutível que a soberania do MP4/5B sobre os demais carros não era a mesma do MP4/4. Prost e Mansell formavam uma ótima combinação ( e sem tantas rusgas) na Ferrari e a Williams, mesmo com pilotos sem tanta expressão como Thierry Boutsen e Ricardo Patrese, mas já contava com os motores Renault e o FW-13B já era um protótipo do imbatível FW - 14B usado em 92. Além da boa temporada de Nelson Piquet que conseguiu um terceiro lugar no campeonato, com 43 pontos, juntamente de Berger.
Senna também não venceu no México, Inglaterra, França, Hungria , Portugal e Espanha. Foi superado nessas etapas por Prost, Mansell e Boutsen. Chegou no Japão podendo não pontuar, caso o francês fizesse o mesmo. Senna larga ao lado de Prost e joga o carro visivelmente em cima da Ferrari do rival, descontando o ano anterior, onde Senna foi a vitima de Prost e foi duramente punido por Jean - Marie Balestre, presidente da FIA, mas isso é outra história...
De qualquer forma, Senna foi o campeão de 90 novamente no Japão.
Na Austrália, Senna também não completou a prova.
Tricampeão, agora sobre o Leão.
E vem o ano de 1991. As McLarens de Senna e Berger apontam como favoritas, mas seriamente ameaçadas pela Williams de N. Mansell, que seria seu grande rival naquela temporada. A Ferrari não seria um carro competitivo em 91 e com isso Prost limitou-se a ser um mero coadjuvante.
Ayrton começa o campeonato de forma alucinante, conquistando 3 poles e 3 vitorias. Inclusive, conquistou sua primeira vitória no GP do Brasil de maneira heroica, terminando apenas com a sexta marcha. Depois, o brazuka teve um jejum de 5 etapas. E o mais impressionante: O jejum não foi apenas de vitórias, mas também de poles!
91 foi um ano atípico na carreira de Ayrton. Mesmo sendo campeão, não teve a soberania costumeira nas poles, porém foi muito mais constante e apenas 1 abandono. Reflexo de um Senna mais experiente e de um regulamento que não beneficiava tanto a maneira tão absurdamente inconsequente que o brasileiro pilotava. (Agora, todos os resultados eram considerados).
Senna volta a vencer no travadíssimo circuíto de Hungaroring, em Budapeste, Hungria. Foi pole e, como de costume, administrou.
E voltaria a vencer, agora em spa, na Bélgica.
Com a instabilidade do Leão, que abandonou diversos GP's naquele ano, Ayrton pode se manter sem vencer até a última etapa, na Austrália, debaixo de um temporal. E pela terceira vez foi campeão em Suzuka, quando Mansell, na necessidade de vencer o brasileiro, acabou cometendo um erro infantil e deixou o campeonato nas mãos de Ayrton, mesmo com a vitória de Berger.
Morte + Caos + Tapetão = Arerê
E 1994 se inicia como sendo o inicio de uma nova era na F1. Infelizmente, tanto para os brasileiros quanto para todo o automobilismo, naquele ano a F1 teve que lidar com a perda de um de seus maiores ídolos. Por sorte, outro grande nome do automobilismo mundial começou se afirmar naquele ano. Um tal de Michael Schumacher.
Aquela temporada com toda certeza geraria melhores argumentos do que qualquer argumento que eu possa vir a colocar neste post, mas o fato é que Schumacher e Senna só realmente duelaram por 3 provas, e todas ( por parte de Ayrton) incompletas.
Muito se esperava da Williams, que havia tido modelos fantásticos nos anos anteriores e que andava dominando o cenário da F1 com facilidade. Para a surpresa de todos, não foi oque aconteceu. E a Benetton B194 com motores Ford de Schumacher conseguiu ser um carro que se mostrava, no minimo, com plenas condições de brigar com os da Williams.
A equipe de Sir Frank não contava com os três abandonos do brasileiro. Desta forma, Michael venceu as três primeiras etapas e ainda a etapa Monegasca, onde ainda um jovem Damon Hill começava a entender que agora seria ele a ocupar o cargo de primeiro piloto da equipe.
A temporada seguia com domínio absoluto do alemão, até que no GP inglês Schumacher não cumpriu dentro das voltas estabelecidas um "stop-and-go" por ter passado Hill duas vezes durante a volta de apresentação. Com isso, Schumacher foi suspenso em 2 corridas, desqualificado desta e viu uma temporada que já parecia ganha tomar outra forma a partir de então, com Hill empolgado por ter vencido em casa e por saber que Schumacher estaria fora por duas corridas.
Schumacher voltaria a vencer no GP húngaro e do jeito clássico: Largou na pode e de lá não saiu. Venceria também o próximo GP, o belga, mas irregularidades foram encontradas no assoalho do carro ( que, segundo os fiscais, estavam 1,5mm abaixo do permitido. Hill vence nessa etapa e nas suas seguintes, onde o alemão estava suspenso.
Assim, Schumacher viu a sua diferença para Hill despencar de 31 pontos para 1 ponto!
No GP da Europa, em Jerez, e no Japão, apenas houve uma troca de posições, onde Schumacher e Hill foram primeiro e segundo respectivamente, de maneira invertida. Assim, a diferença de um ponto foi mantida e a decisão foi para a derradeira prova nas ruas de Adelaide, na Austrália.
Foi uma prova que coroou um ano caótico na F1. Na volta 36...
Schumacher (obviamente sentindo a pressão) comete um erro horrendo e passa reto, e acaba colidindo com os pneus, por sorte, estava lento e com isso conseguiu voltar para a pista. Como Hill estava prestes a ultrapassá-lo, o alemão não exitou em fechar a porta e colidir com o inglês, forçando o abandono de ambos.
Na minha opinião, Hill poderia ter esperado para tentar a ultrapassagem. Foi afobado. A atitude do alemão é muito questionável. Se na época, onde as leis não eram rígidas quanto a conduta desportiva como hoje, ela já foi...
A verdade é que o campeonato foi uma grande várzea. Michael também foi punido com um certo excesso pela FIA. Certamente o alto clero da época não queria um campeonato como o de 1992, coisa que estava se desenhando já que o alemão não tinha rivais a altura na primeira metade do campeonato.
Sabendo que já tinha interferido demais, a FIA resolveu "lavar as mãos" e deixar as coisas como estavam. Foi a cereja do bolo de um ano para a F1 esquecer.
Bem tranquilo
Agora em 1995, a história foi outra: Sem a pressão para garantir o título mundial, o alemão sobrou e muito. A Benneton B195, agora equipada com motores Renault, não encontrou adversários naquele ano. Schumacher terminou aquela temporada com 9 vitórias, (sendo uma delas na Bélgica, largando em 16º), 4 poles position, 11 podiuns, 3 abandonos e 102 pontos contra 4 vitórias, 7 poles, 7 abandonos e 69 pontos do rival e segundo colocado no campeonato, o inglês Damon Hill.
Schumacher sagrou-se campeão no circuíto de Aida, Japão, faltando além desta mais 2 corridas para o fim do campeonato.
O fim do milênio e o começo de uma nova era.
Muito tempo se passou, ( 5 anos na verdade) e Schumacher, mais velho e consequentemente experiente, partindo para a sua quinta temporada com o carro vermelho de Maranello rumava para o que muito achavam que seria questão de tempo: O título.
Michael foi para a Ferrari e levou consigo todo o seu staff, incluíndo Ross Brown e ainda somando com a presença de Jean Todt, montaram ao longo dos anos um conjunto que se tornou praticamente imbatível.
Naquele ano de 2000, era Ferrari F-2000 x McLaren MP4/15 e nada mais. Apenas Schumacher, Coulthard e Hakkinen venceram corridas naquele ano. Talvez um piloto de menor calibre, e/ou com menos liberdades dentro da equipe, coisa que acontecia com Rubens Barrichello na Ferrari, poderia fazer toda a diferença para a equipe dos "flexa de prata", uma vez que conquistaram o título de construtores, mas perderam o título de pilotos. O brasileiro ficou com o quarto lugar e ainda conquistou sua primeira vitória na carreira saindo do 18º lugar em Hockehein.
O alemão começou arrasador, vencendo as três etapas iniciais. Em seguida Hakkinen e Couthard conseguiram se recuperar e Schumacher teve uma fase difícil no meio do campeonato, onde abandonou 4 vezes ( Mônaco, Alemanha, Áustria e França).
A reação foi esmagadora: Dois segundos lugares, seguidos por quatro vitórias. Todas seguidas.
Schumacher havia então se acertado com a Ferrari. Deixou de ser apenas um bi-campeão.
Começou uma era que certamente os alemães desejavam nunca terminar.
Acho que Wolfigang Von Trips, onde estivesse, teria gostado disso.
É importante lembrar que nessa mesma temporada, Schumacher, ao vencer o GP Italiano, supera o número de vitórias de Senna e chora. Sinceramente, não sei se o brasileiro representava algo para Michael, mas o fato é que ele tinha consciência do recorde que estava quebrando.
Agora, nem a McLaren...
2001 começa com o domínio do piloto alemão novamente. Schumacher já corria como um relógio, obedecendo de maneira fiel as ordens de Ross Brown, fazendo voltas de qualify logo antes dos pits, conquistando lugares valorosos. Tudo isso somado ainda ao trabalho de escudeiro feito por Barrichello e a confiabilidade de sua Ferrari ser cada vez maior, o que fez com que Schumacher fosse acima de tudo constante. Só não foi ao podium por três vezes em 2001, sendo que duas vezes foram por abandonos e uma por ter conquistado um quarto lugar.
Sem contar que de todas as vezes que Michael foi ao podium, NENHUMA delas ele foi no terceiro posto.
Outro fator muito importante naquele ano é o de que os adversários de Schumacher se revezavam nas poucas vitórias que conquistavam. Hakkinen teve um ano para esquecer, Couthard conseguiu um ótimo vice-campeonato, mas bem longe do alemão.
As Williams pareciam esboçar um sinal de vida, agora com um motor BMW e uma dupla de pilotos promissores: O abusado Juan Pablo Montoya, que já tinha feito estragos na Indy ( ou CART na época) e Ralf, o irmão mais novo de Michael.
Porém, cada um deles venceu apenas uma prova. O que era pouco para ameaçar Schumacher.
Michael foi campeão com 9 vitórias e 11 poles em 2001.
Obteve uma vantagem de 58 pontos sobre Coulthard.
Já ficou sem graça
Acho que a grande discussão sobre o campeonato de 2002 é se esse foi a temporada mais sem graça da F1 ou se houve outra. Sinceramente, vai ser difícil achar.
Schumacher esmagou todos os outros pilotos. Foram 11 vitórias, 7 poles e muitos recordes quebrados.
Além disso, foram 67 pontos a frente do segundo colocado, Barrichello. Mais uma prova da superioridade da equipe, do carro, e por fim, do próprio Michael.
É bem verdade que houve o desnecessário gesto da troca de posições na Áustria, onde Barrichello entregou o primeiro lugar ao alemão. Até Michael ficou sem graça no podium, cedendo o primeiro lugar ao brasileiro ( puro teatro, na minha opinião). Mas isso é outro assunto...
A partir desse ponto, os homens do "alto clero" da FIA começaram a se preocupar: Schumacher já havia igualado a marca de Fanggio e já era comparado aos grandes nomes da F1, principalmente o de Senna. O temor dos homens fortes da F1 não era esse, mas sim que a soberania do alemão causasse o desinteresse do público em geral e isso já estava começando a acontecer...
Novos nomes, velho campeão.
O que parecia anunciar como mais uma temporada modorrenta para todo o planeta com a exceção da Alemanha, se mostrou completamente diferente com a evolução significativa da Williams de Montoya e o surgimento de um outro nome que futuramente entraria para o hall de campeões do mundo: Kimi Haikkonen.
Schumacher teve bem mais trabalho nessa temporada, vencendo apenas 6 GP's e tendo resultados que não eram comuns nos anos anteriores como sétimo e oitavo lugares. A falta de experiência do finlandês e o arrojo excessivo que acabou por muitas vezes acabou se tornando afobação do Colombiano foram detalhes fundamentais no sexto título do alemão. Além disso, começou a surgir um outro nome que no futuro faria muita diferença no caminho de Michael, Fernando Alonso, que venceu o GP húngaro desse ano.
Apesar dos bons nomes que apareciam e do carro inferior ( Ferrari F2003-GA), Schumacher, mesmo com um desempenho abaixo de anos anteriores conseguiu seu hexacampeonato na ultima etapa, em Suzuka.
Kimi precisava vencer e o alemão não poderia pontuar. Schumacher largou em 14º por ter tido problemas , mas Haikkonen também teve um desempenho abaixo do esperado e largou apenas em 8º.
Schumacher ainda acabou tendo uma pequena colisão com Takuma Sato, o que o obrigou a trocar o bico do carro, justamente quando Kimi estava em segundo.
De qualquer forma, Schumacher conseguiu se recuperar e conseguir um oitavo lugar, o que lhe conferiu o sexto título. Se mesmo assim não tivesse conseguido pontuar, se sagraria campeão graças a boa corrida de Barrichello, que venceu e barrou Haikkonen.
Para alguns, parecia a soberania de Schumacher não seria a mesma. Para outros, a chance de vencer o alemão havia se perdido.
Sem graça demais!
É, quem tinha a esperança que o reinado de Schumacher iria acabar no ano de 2004 viu isso ser desmentido de uma maneira completamente inversa: Schumacher dominou completamente a temporada. Apenas não venceu em Mônaco, Spa, Monza, Xangai e Interlagos. O F2004 foi muito superior aos demais. Tanto que ficou 143 pontos a frente da segunda colocada no mundial de construtores, a BAR, mais do que os proprios 119 pontos que a BAR conseguiu fazer no ano todo.
De todos os anos em que correu na Ferrari, sem duvida esse era o ano que Michael tinha o melhor carro. Prova disso foi a superioridade de Barrichello, segundo piloto mais do que declarado nesta época, sobre todos os outros pilotos.
Schumacher se sagrou campeão em Spa, com mais 4 corridas restantes. Conquistou 13 vitórias na temporada, superando seu próprio recorde de 11 vitórias conquistado em 2011 e tornou-se, com completa contundência, o único heptacampeão da história da F1.
Conclusão:
A análise aqui leva em consideração as vitórias. É bem verdade que existem detalhes que até podem fazer a diferença, como carros, adversários e outras coisas mais. Mas isso será discutido em outros posts e aí sim, serão devidamente levados em consideração. Aqui, não.
Neste post que leva o ponto é o alemão. Para começar ele venceu 7 vezes ao contrario das 3 de Ayrton e em vários casos ( principalmente em 2002 e 2004) venceu com muita vantagem. Como Schumacher venceu mais e com maior diferença sobre seus adversários, pra mim, nesse quesito, ele foi o melhor.



Apesar que, levando em conta os competidores da época do Senna (e principalmente seu parceiro de equipe) as ameaças pro brasileiro eram mto maiores do q pro Schumi. Um empate nesse quesito seria justo. Mas como tem q ser unilateral, o alemão leva a melhor pelo volume de conquistas.
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