domingo, 3 de março de 2013
Senna, Schumacher e o velho bate - boca. Parte 2
Continuando a saga, vamos agora ver os anos em que Senna e Schumacher tinham condições ( ou eram credenciados) de vencer e não o fizeram.
Porém, as temporadas de 92 e 93 ( para Ayrton) e 05 e 06 ( para Michael) serão deixadas para outro post.
Parte 2 - As derrotas
Senna, o chato.
Depois da boa temporada em 85, Senna em 86 tinha em mãos uma Lotus que era considerada a terceira força daquele ano.O que chama atenção é que Ayrton tinha uma habilidade fora do comum nos treinos, conquistando 8 de 16 poles possíveis. Porém o brasileiro não conseguiu o mesmo ritmo nas corridas: Venceu apenas 2. O travadíssimo circuito de Detroit, no GP dos EUA Leste, onde largar na frente era fundamental e Jerez, na Espanha.. Mesmo assim, Senna obteve um quarto lugar no mundial, ficando na frente de Keke Rosberg que fez uma temporada horrivel com sua McLaren e atras do trio que realmente brigou pelo título: Prost, Mansell e Piquet.
Fica ainda desta temporada a chegada no GP da Espanha, ganhando por 0,014 s de Mansell e a briga com Piquet na Hungria, onde o brasileiro da Willians fez ( para mim) a maior ultrapassagem da história.
Em outras palavras, em 86 Senna foi um "Coadjuvante chato" para seus adversários.
Schumacher, o cerebral
Schumacher chega na temporada de 93 com destaque por ficar em terceiro, apenas na frente das invencíveis Williams em 92. O alemão teve uma campeonato até mais discreto no ano anterior, ficando atras de Senna (cuja temporada será comentada em outro post) e das Williams de Prost e Hill.
A Benetton tinha o segundo carro do ano, contando com um sistema de suspenção ativa e de controle de tração ( mas nem de longe igual ao do time de Sir Frank).
Schumacher não conseguiu nenhuma pole, mas venceu o GP português, se aproveitando de uma corrida onde Hill, que largou em segundo, teve um problema com no motor antes da largada e teve que largar dos boxes, Senna sofreu com a explosão do motor. Hakkinen estava estreando e bateu. Além de Prost fazer uma corrida super conservadora afim de conquistar o campeonato. Lembra bastante as vitórias discretas de Jenson Button ( longe do Inglês estar no mesmo patamar), onde todo mundo fazia lambança e ele sempre se aproveitava ( e aproveita até hoje) correndo de uma maneira mais cerebral e consciente.
O rei das ruas
Em 87, Ayrton nem de longe teve o mesmo rendimento nos treinos: Conseguiu apenas a pole position no GP de San Marino. Mas mesmo assim conseguiu 2 vitorias. Curiosamente estas em circunstâncias muito parecidas: Eram circuítos de rua ( Detroit e Mônaco), largou em segundo e soube se aproveitar da completa falta de sorte de Nigel Mansell ( abandonou com problemas em Mônaco e teve um péssimo pit - stop em Detroit, porém mérito de Senna por não fazer pit - stops nessa corrida ). Além disso, Nelson Piquet chegou em segundo nos dois GP's.
A Lotus de 87 não era um carro superior a McLaren e Williams. A equipe compensou dando um apoio irrestrito ao brasileiro, tendo um segundo piloto muito inferior (Satoru Nakajima) e com isso, evitando possíveis disputas internas.
Os motores Honda usados na Lotus em 87 começaram muito bem, substituindo os antigos motores Renault. Porém o time amarelo não teve o mesmo desenvolvimento que a equipe de Sir Frank Williams. Senna ainda garantiu um 3º lugar na classificação final, com 57 pontos, ficando a frente das duas McLaren's de Prost e Stefan Johansson, que fizeram uma temporada muito abaixo do esperado.
Senna poderia ter sido ainda o segundo colocado no mundial, mas foi desclassificado por irregularidades no carro nos dois últimos GP's ( Japão e Austrália), mas isso é assunto de outro post...
O salvador da pátria contra as invencíveis Williams.
Em 1996, Schumacher se transfere para a Ferrari com o status de "salvador da patria". O alemão tinha como meta quebrar o jejum da escuderia italiana que não via um piloto seu ser campeão desde 1979, o Sul- africano Jody Scheckter.
Porém, o alemão viu que as coisas não seriam tão simples assim. A Williams por mais um ano mostrou ser a grande equipe dos anos 90, vencendo 12 dos 16 GP's. Ao bi-campeão, sobraram 3 vitórias: Espanha ( onde fez uma ótima corrida na chuva), Belgica e Italia. Foi uma temporada marcada por inúmeros abandonos do alemão, geralmente causados por falhas mecânicas de seu carro vermelho. Apenas na parte final do campeonato conseguiu uma boa sequência de 5 podiums seguidos. Mesmo assim, terminou com 59 pontos e um 3º lugar no mundial de pilotos daquele ano.
Em 1997, a Williams não teve um domínio tão absoluto quanto nos anos anteriores e a Ferrari de Schumacher mesmo ainda apresentando alguns problemas de confiabilidade, se mostrou um carro melhor do que o de 96. Alem disso, Ferrari e Williams contavam com bons segundos pilotos (Irvine e Frantzen), o que fez com que a briga pelo título fosse monopolizada entre as duas escuderias e seus dois pilotos principais.
Schumacher teve 5 vitórias nesse ano, e apenas 4 abandonos. Prova de que em 97 ele voltaria a ser um piloto bem mais regular. ( Sua pior colocação, completando corridas, foi a de 6º lugar na Italia e na Austria).
Foi a temporada de disputa mais acirrada para o alemão, que perdeu o título apenas na ultima etapa, em Jerez, na Espanha,Williams do canadense Jacques Villeneuve começou a andar muito mais do que a Ferrari do alemão. Para piorar, Schumacher tentou evitar a ultrapassagem do rival forçando uma batida para causar, em vão, o abandono dos dois carros. Apenas Schumi abandonou. Perdeu o titulo e o segundo lugar no mundial de pilotos já que foi punido pela FIA.
Senna contra a França e contra seus próprios erros.
A temporada de 1989 já começou com um clima pesado entre os dois pilotos da McLaren: Senna e Alain Prost que só pioraria ao longo do ano. Isso graças ao apoio da McLaren a Senna e o de Jean Marie Balestre, o presidente da FIA em 89, ao seu compatriota francês.
O MP4/5 sem dúvida ainda era o carro a ser batido na época, mas não conseguiu um desempenho tão absurdo quanto seu antecessor, o MP4/4 em 1988, com 15 vitorias de 16 possíveis. Em 89 foram 11 vitórias, sendo 6 de Ayrton.
Foi mais uma temporada onde o piloto brasileiro teve um desempenho fora do normal ( em comparação aos outros) nos treinos. Senna largou na 1a fila em todas as corridas. O que foi algo letal para o seu resultado no campeonato foi a instabilidade de seus resultados em corridas: Abandonou 6 corridas e foi desclassificado em mais uma ( no GP do Japão, em Suzuka). Não venceu nenhuma corrida não largando na pole ( no caso, largando em segundo), conquistando no máximo um segundo lugar no GP da Hungria. É fato que a interferência de Balestre em Suzuka ( isso será discutido num próximo post) foi decisiva, mas o fato de Prost ter conquistado 11 podiuns contra os 7 de Ayrton, foi a grande a grande causa da sua derrota em 89. Mesmo Senna tendo vencido mais.
Agora o problema é a "flexa de prata"
Em 1998, Schumacher teve que enfrentar a fúria da flexa de prata pilotada pelo finlandês Mika Hakkinen. O alemão conseguiu ainda 6 boas vitórias (Argentina, Canadá, França, Reino unido, Hungria e Itália) contra as 8 de seu rival. A Williams entrou numa era de crise ( na qual não saiu definitivamente até hoje) e Hill estava na modesta Jordan, fazendo com que o campeonato fosse monopolizado entre Ferrari e McLaren.
Mesmo utilizando muito bem sua técnica para troca de pneus ( Schumacher sempre teve, e nessa época já era um expert nisso. Nas duas voltas que antecediam o pit, o alemão andava em " ritmo de treino", conseguindo alguns segundos valiosos que sempre lhe conferiam alguma posição), o germânico faturou 86 pontos contra os 100 do rival.
Não estranhe se um dia você olhar a classificação de pilotos de 1999: Schumacher foi apenas o quinto! E seu companheiro de equipe, Eddie Irvine ficou em segundo, brigando intensamente pelo titulo com Mika Hakkinen. Como assim?
A Ferrari começou melhor a temporada, com direito a vitória do irlandês logo na primeira corrida, em Melbourne. Schumacher se recuperou rapidamente do oitavo lugar de estreia com vitórias no Brasil e em Mônaco, ficando com 12 pontos de vantagem sobre seu rival direto pelo segundo ano seguido: Hakkinen.
Porém, no GP inglês, Schumi vinha pressionado por resultados piores que o finlandês nas corridas anteriores ( abandonou no Canadá e ficou em terceiro na Espanha, contra 2 vitórias de Mika e sua flexa de prata) e para piorar, o alemão sofreu um grave acidente passando reto e batendo de frente na proteção de pneus a quase 300 Km/h, o que lhe custou uma fratura na perna direita e o campeonato.
O alemão voltou nas duas ultimas etapas a tempo de conseguir duas poles, dois segundos lugares e ajudar Irvine e a Ferrari a conseguir o título de construtores.
Há quem diga que se o alemão não tivesse se afastado, certamente o titulo iria para ele. Outros, mais radicais, dizem que se a equipe não desse tantos privilégios a Michael no inicio, o título seria de seu companheiro irlandes. No fim, quem riu por ultimo foi Hakkinen.
Conclusão:
Para Senna contam a favor principalmente a boa temporada com a Lotus em 86, fazendo muitas poles com um carro inferior a elite daquele ano.
Para Schumacher, pesa ao seu favor os anos que competiu com as Williams e a McLaren (98) quase que de igual para igual.
Contra o brasileiro ficam os erros que lhe custaram pontos preciosos em 89, como o do GP da Austrália, onde era líder absoluto com mais de 25s a frente de T. Boutsen ( Prost desistiu de correr) e bateu bizarramente sozinho. Graças a esses erros chegou no Japão em desvantagem contra Prost e aí... fica pra outro post.
Contra o alemão pesam a atitude estúpida em 97 contra Villeneuve. Não por que seja algo feio, desleal e bla bla bla, mas sim por que faltou equilíbrio. Ainda havia muita corrida pela frente e a vantagem da Williams naquele momento não era nada que não poderia ser revertido.
Senna ganha outra vez para mim.
Não por ter chamado mais a atenção em 86 do que Schumi em 93. Nesse ponto acho que o que fez a diferença foi apenas o estilo de pilotar, que convenhamos, o do brasileiro agrada muito mais ao grande público. Senna ganhou porque seus erros foram menos estúpidos do que o erro de Schumacher em 97.
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Na verdade os erros do Senna foram pelo excesso de imprudência e vontade de ganhar. Vejo o Schumi como um competidor desleal nesse período. Mesmo ficando atrás das fortes Williams os erros dele não se justificam pela falta de prática ou imprudência. Acredito que desde essa época o Schumi mostrou que joga forte quando quer ganhar. Diferente do Senna que tinha uma vontade a mais pra ganhar e tirava forças "do nada" para conseguir seus feitos. Mesmo concordando que o Senna era imaturo em algumas vezes, sendo o pior perdedor que a F1 já teve.
ResponderExcluirMuito bons post sobre F1... espero a continuação.
ResponderExcluirPoderia ter citado que Senna foi o piloto que mais teve brigas com contato físico com os outros pilotos na história da F1. Talento ele tinha, mas comportamento...
PS. É flecha, seu burro! HAHAHA